Durante a COP 30, sediada no coração da Amazônia, em Belém, quem está no chão da floresta promovendo transformações e girando a engrenagem que faz de fato a bioeconomia acontecer tem a palavra. Fora dos espaços oficiais nas zonas verde e azul, existem lugares como a Bem Cafeinado, loja criada por Liane Dias, no bairro Reduto, que amplia os diálogos entre os diversos atores do ecossistema de impacto com rodas de conversa sobre negócios sustentáveis.

“A ideia é conectar parceiros importantes com gente que está realmente envolvido com a tão falada bioeconomia amazônica e promover essa integração é fundamental para evitar narrativas fantasiosas sobre mudanças climáticas e a sociobioeconomia”, argumenta a empreendedora.

Paula Macedo, gestora de portfólio de negócios da Amaz Aceleradora de impacto, iniciativa coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável, Idesam, explicou como vencer os desafios para ter acesso ao capital filantrópico e privado, durante uma conversa com produtores e empreendedores que atuam com o café, uma das paixões nacionais que vem sofrendo o impacto das mudanças climáticas com a seca e calor, que prejudicam as lavouras no Brasil e no mundo.

“O capital filantrópico está cada vez mais escasso globalmente e não é suficiente para resolver todos os problemas sociais e ambientais. Na Amaz nós trabalhamos com um fundo oriundo de capital filantrópico e privado para apoiar negócios que já estão promovendo mudanças na Amazônia Rural. Com esse fundo já conseguimos avaliar mais de 500 negócios e temos hoje 16 ativos no portfólio”, explicou a gestora.

Outra iniciativa do Idesam para fomentar negócios de impacto na Amazônia e que foi lançada no FIINSA COP 30, a Zoma – geradora que surge para apoiar empreendedores, pesquisadores e negócios de base comunitária e tecnológica comprometidos com uma economia de floresta em pé, também esteve na roda por meio de Renato Rebelo, líder da Zoma.

“A Zôma é sobre apoiar empreendedores que ainda estão no início da jornada, aqueles que têm uma ideia, um protótipo ou um produto, mas ainda não conseguiram acessar mercado. Queremos preparar essa base para o crescimento e para uma economia que valoriza a Amazônia viva”, explicou Renato durante o bate papo.

A proposta é atuar como uma venture builder amazônica, ou seja, uma geradora que não apenas acelera, mas estrutura negócios desde as fases iniciais. Os participantes selecionados terão acesso a mentorias, suporte técnico e administrativo, apoio em marketing, jurídico e financeiro, além de conexões com investidores e mercados estratégicos.

Na outra ponta, os produtores da Cooperativa Mista de Agricultura Familiar do Polo Barreta (COOPERMAB), em Vigia de Nazaré, município paraense conhecido como a capital do Tucupi, mas que também foi o lugar onde as primeiras mudas e sementes do café tocaram o solo brasileiro, trouxeram pra roda a experiência com o café selvagem.

“São árvores centenárias que estão no nosso território.  A cooperativa nasceu informalmente em 2021 e hoje temos 50 famílias envolvidas na pesca artesanal e no cultivo de frutas, legumes e hortaliças e estamos trabalhando para inserir o café, porque atualmente só temos as árvores ancestrais que estão no meio da nossa floresta, sem o manejo”, comentou Maria Souza, integrante da cooperativa.

A cooperativa já fornece a polpa do Bacuri, fruto nativo da Amazônia, para negócios como a Aruanas, que produz alimentos com sabores da região. A Aruanas surgiu da inquietação da jovem Luise Lima, que cansada de ver produtos nos supermercados de belém com ingredientes como blue berry, como barrinhas de cereais e geléias,  resolveu arregaçar as mangas para trazer o gosto da Amazônia paraense para as prateleiras da cidade.

“Existem coisas que não cabem na embalagem. A Aruanas já ajuda na recuperação de 30 mil metros de áreas degradadas com sistema agroflorestais. Além de trazer o sabor da nossa terra pra dentro do mercado da região”, pontua a empreendedora de impacto.

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