Em parceria com a Associação Metareilá do Povo Indígena Paiter Suruí e apoio do Instituto Itaúsa teve início, em 13 de outubro de 2025, o treinamento do Laboratório Criativo da Amazônia na Terra Indígena Sete de Setembro.

Manaus, Brasil – 13 de outubro de 2025 – O Instituto Amazônia 4.0, em parceria com a Associação Metareilá do Povo Indígena Paiter Suruí e com apoio do Instituto Itaúsa e do Presidente Geral do Território Paiter Suruí, Almir Suruí, deu início ao treinamento do Laboratório Criativo da Amazônia (LCA) no Território Indígena Sete de Setembro, próxima a Cacoal (RO).

A atividade marca o começo da fase de aprendizado prático e tecnológico do LCA, que promove a agregação de valor a produtos da floresta com identidade cultural própria, fortalecendo a bioeconomia da sociobiodiversidade amazônica e incentivando a autonomia produtiva e a geração de renda das comunidades indígenas e tradicionais.

O treinamento em fabricação de chocolates e cupulates finos está sendo conduzido pelo professor e chocolatier Cesar De Mendes, referência nacional em chocolates de origem amazônica, com o apoio de Luciene Gemaque, empreendedora comunitária com profundo conhecimento sobre os produtos da floresta. As oficinas teóricas e práticas abordarão o aproveitamento das amêndoas de cacau nativo e cupuaçu, unindo saberes tradicionais e tecnologias inovadoras, noções de negócios e gelateria tropical.
Durante quatro semanas, os participantes aprenderão todas as etapas do processo produtivo — fermentação, secagem, torrefação, moagem, temperagem e embalagem — utilizando equipamentos modernos e tecnologias adaptadas à realidade local.

Segundo o diretor-presidente do Instituto Amazônia 4.0, Ismael Nobre, “a iniciativa busca garantir que as populações tradicionais e indígenas dominem o ciclo completo da produção e comercialização de produtos de alto valor agregado. Essa união entre o saber tradicional e o conhecimento tecnológico, com agregação de valor aos produtos da floresta, é o que chamamos de bioeconomia da sociobiodiversidade. Ao aprender todas as etapas de produção — da fermentação à embalagem — dentro do próprio território, os Paiter Suruí fortalecem sua autonomia econômica e reafirmam o valor da floresta em pé como fonte de prosperidade.”

Em sua visita à fábrica de chocolate, o Presidente Geral do Território Paiter Suruí, Almir Suruí manifestou sua alegria com a parceria entre o Instituto Amazônia 4.0, o povo Paiter Suruí e a Associação Metareilá. “Estou muito feliz com esse trabalho, que está avançando cada vez mais, e com certeza os nossos cursistas Paiter Suruí estão gostando do curso. Viva o projeto! Vai dar tudo certo! O primeiro chocolate indígena da Amazônia brasileira está saindo”, destacou Almir.

Ismael Nobre enfatiza que “o povo Paiter Suruí é um exemplo vivo de sabedoria e compromisso com a floresta. São especialistas em cuidar da Amazônia há gerações, guardiões de um conhecimento ancestral que mantém viva a relação entre o ser humano e a natureza. Agora, com o Laboratório Criativo da Amazônia, eles passam a dominar também as tecnologias e processos de transformação dos frutos da floresta em produtos de alto valor agregado, como os chocolates e cupulates finos.”

O treinamento acontece em um momento estratégico, diante dos debates que antecedem a COP30, em Belém (PA). Para Nobre, “ao transformar as amêndoas do cacau em chocolate de origem, o projeto estimula novas formas de renda sustentável e reafirma o valor econômico e cultural da floresta em pé. Nosso objetivo com o LCA é exatamente esse: levar ciência, tecnologia e inovação para dentro das comunidades, garantindo que o desenvolvimento aconteça com respeito, equidade e protagonismo local. Ajudar o povo Paiter Suruí a se tornar referência na produção de chocolates finos da Amazônia é contribuir com o futuro sustentável que queremos para toda a região — um futuro construído por quem mais entende de floresta: seus próprios guardiões.”

O treinamento no Território Indígena Sete de Setembro amplia a atuação do Laboratório Criativo da Amazônia LCA (Cacau-Cupuaçu), que já realizou edições em outras localidades da Amazônia, como na comunidade extrativista do Surucuá, na comunidade Corpus Christi no assentamento de reforma agrária (PA Moju II) e na comunidade quilombola Moju Miri, todas no estado do Pará. “Essas experiências vêm consolidando o LCA como uma ferramenta de formação e inovação voltada à construção de uma bioeconomia justa, inclusiva e sustentável para o futuro da Amazônia”, concluiu Ismael Nobre.

Sobre o Instituto Amazônia 4.0
O Instituto Amazônia 4.0 é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) comprometida com a valorização dos recursos naturais da Amazônia e o empoderamento das comunidades tradicionais e indígenas através de capacitação, inovações científicas e tecnológicas.

Sobre o Instituto Itaúsa
O Instituto Itaúsa é uma organização grantmaker, ou seja, dedicada a financiar e a apoiar iniciativas que promovem o desenvolvimento sustentável no Brasil. Atuam com uma abordagem integrada, que articula as dimensões de clima, natureza e pessoas.

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